quinta-feira, 27 de março de 2008

Mediocre.

A eloquência do meu gesto é o beijo que nos escapa, a mensagem que faltava, a resposta esperada na afã do agora vulgo sentimento.
O gesto precede as palavras, e as palavras precedem o silêncio de um beijo discreto numa loucura que desmaia à medida que a razão lhe dá sentido.
O gesto exige o ritual, o sim ou o talvez não.A ansiedade cede à presunção, naquela pausa, de quem não sabe como dizer não, ou de quem pensa no talvez e teima em dizer sim.
Talvez um misto de pena e de raiva, talvez até por mediocridade minha, por hesitação ou insegurança não me aproximei de ti o quanto devia, nem te disse o que sentia.
O extremismo da minha política é o reflexo incoerente da pacatez que preciso e a indecisão do teu talvez, não é mais do que a prorrogação do mais que evidente desmoronar da idealizada e falaciosa noção de paz pessoal.
A minha sedição é o respeito pela facção com que me identifico, fixo o ponto, olho, penso muito e às vezes não.E olho só pelo prazer de observar sem pensar em mais nada.
Ouço aquele "soul", aquela voz negra,aquele piano desfalecente, a mensagem de acalmia que precede a tempestade, fecho os olhos, deixo as mãos fluírem e escrevo ao ritmo da minha vida: ora calma demais, ora vivida demasiado intensamente.
Quando me decido a procurar-te deparo-me com aquela pérfida sensação, aquela imundície em que te tornaste, o corpo vendido e a alma despida, ou devo antes dizer ao contrário?!

2 comentários:

Daniela R disse...

Eu já disse isto na primeira vez que comentei este texto:
És tudo menos medíocre... assim como este texto.

Cada vez que leio um texto teu fico com a sensação de que nenhuma palavra ficava melhor ali que aquela que puseste... é fantástico...

E depois há sempre aquelas frases que marcam pela diferença e/ou por me identificar com elas... São aquelas que eu jurava que era capaz de proferir num ou outro momento... Como: "Quando me decido a procurar-te deparo-me com aquela pérfida sensação, aquela imundície em que te tornaste, o corpo vendido e a alma despida, ou devo antes dizer ao contrário?!" ...

'Perfecto' Menino ;D*

Anónimo disse...

Profundo, sentido, com sentimento e verdadeiro..
Quando leio os teus fantásticos textos é isto que sempre me transparece,
De maneira subtil e delicada consegues descrever momentos passados, experiencias vividas, sentimentos 'recalcados', desejos.., ou entao apenas algo inspirado no real, que fluem de forma espontanea da tua imaginação.. O que seja, é magnifico o que dizes, ou a forma como o dizes, que isso talvez é o que marca a diferença ;)

Em relação a este ultimo e recente texto, como já te disse, adorei!
Existem partes que me identifo bastante, como esta:
" [...]por hesitação ou insegurança não me aproximei de ti o quanto devia, nem te disse o que sentia. O extremismo da minha política é o reflexo incoerente da pacatez que preciso e a indecisão do teu talvez, não é mais do que a prorrogação do mais que evidente desmoronar da idealizada e falaciosa noção de paz pessoal".

Enfim.. Fico a aguardar por novos post's, para me deliciar a ler..

;'), *

'Pink Girl' ^^

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